quinta-feira, 11 de julho de 2013

O grande erro de Paulo Gustavo: Minha mãe é uma peça

Havia um bom tempo em que eu não ia ao cinema, e minha vontade só aumentou, de umas semanas até aqui. Estrearam os filmes que esperei tanto para assistir. Universidade Monstro que o diga, mas o primeiro da lista foi a comédia do momento, Minha Mãe É Uma Peça. Afinal, levou 400 mil expectadores só nos três primeiros dias e estreia, segundo o uol.

Adaptado em Niterói, fala sobre a história de Dona Hermínia, personagem inspirada na mãe do humorista it, Paulo Gustavo. O roteiro gira em torno das situações cotidianas da personagem: a relação com os filhos adolescentes, com o ex marido e sua nova namorada, com a vizinhança do prédio onde mora e com o restante da família. Nada muito diferente de suas aparições no programa 220 Volts, no Multishow. Me arrisco a dizer que o filme em si soou como um episódio prolongado a ponto de ser considerado como uma comédia fraca e cansativa. O que deixa essa resenha em tom de crítica negativa. Mas verdade seja dita, porque gastar dinheiro indo assistir no cinema o que se pode ver na TV? É pra pensar.

Gosto bastante do Paulo Gustavo, de todos os seus personagens, sua expressão corporal e de sua genialidade como humorista. Esse deve ter sido o motivo principal para criar a expectativa que criei, e no fundo, devo estar equivocado com tudo isso; todas essas palavras podem perder o sentido a qualquer momento. Quero dizer, eu sou um em meio à milhões de expectadores que foram e ainda vão às salas de cinema para assisti-lo. Por essa razão temo ter de criticar toda a produção de um dos filmes mais esperados do ano, não apenas por mim.

Não é um filme que vá mudar ou inovar algo no cinema brasileiro. O humor tem seus momentos bons e proveitosos, isento da fórmula Zorra Total. Mas muitas vezes apela para o escapismo da piada do peido e outras sátiras tão erradas quanto. São nesses momentos em que eu quase grito de agonia, pois a genialidade de um grande humorista como o Paulo é ofuscada, não pela falta de atrativos da história, mas pela forma errada de abordar esse tipo de humor. Gosto de acreditar que o problema todo foi esse: ter ficado na zona de conforto que cerca o 220 Volts, tornando o filme apenas mais uma dessas comédias que estamos acostumados a ver e rir só por já conhecermos as piadas.

Depois de assistir ao filme, pude notar algo que à princípio só suspeitava. Embora vivencie dezenas de personagens, Paulo Gustavo me parece muito preso em três humoristas distintos. Como? Observe bem suas performances em três momentos: No 220 Volts, em Minha Mãe É Uma Peça e em seu novo trabalho, Vai Que Cola?

O Paulo do 220 foi o primeiro contato com um público que já não aguentava toda a chatice desse humor comprado da TV aberta. Ele chegou com a leva de novas atrações, como o canal Porta dos Fundos, que utilizou a internet como principal arma. E deixou sua marca interpretando personagens femininos que não ficaram caricatas como uns e outros por ai. O humor do Paulo do 220 não é comprado, é contido e censurado na medida certa, e agrada a todos até hoje. Diferente do Paulo Gustavo em seu filme. Em Minha Mãe É Uma Peça, o expectador já sabe o que esperar do enredo, do roteiro e até das piadas. Ele se destacou na área humorística interpretando a bem realista Dona Hermínia, mas fica massivo se jogar isso para um longa de uma hora e meia sobre as mesmas coisas de sempre. Uma vez que contracenam com ele, ainda no filme, os também humoristas Ingrid Guimarães, Samnatha Schmütz e Marcus Majella, sobra pouco espaço para esses nomes se destacarem de alguma forma além de atores convidados. Por fim, em Vai Que Cola?, série dirigida por Cesar Rodrigues e João Fonseca, Paulo Gustavo deixa de ser Dona Hermínia e vira um corrupto, ex morador do Leblon e que vai viver numa pensão na Zona Norte. A diferença desse Paulo, que ainda está no centro da história, é que há um espaço para se explorar o talento de seus colegas de cena. Chega soar como o extinto Sai De Baixo. A talentosa Samantha Schmütz encarna uma piriguete melhor que a Tatá Werneck na novela das oito, Cacau Protásio vive a viúva de um ex bicheiro e Marcus Majella tem a oportunidade de nos tirar mais risadas como um porteiro com gostos refinados e fã de Barbara Streisand. Além de Catarina Abdala, Fernando Caruso, Emiliano D'Avila e Fiorella Mattheis também garantirem seu humor no programa, equilibrando tudo em boas doses. Não é difícil notar esses três Paulos, está lá para quem quiser ver. 

Chego aqui, no último parágrafo, concluindo que, pelo meu ponto de vista (amado e odiado por muitos) vale a pena ir assistir ao filme exclusivamente por sabermos que Paulo Gustavo tem mais acertos que erros. Embora o filme tenha sido talvez seu maior erro, o segredo de sempre, é não criar expectativas. Contudo, é difícil, visto o tamanho do destaque que o humorista conquistou. Minha Mãe É Uma Peça é um filme que fala muito e por uma sucessão de erros, diz pouco. Não se pode esperar por novos elementos humorísticos e novas sacadas sensacionais, ele é sobre um apanhado da personalidade de cada mãe que existe em nossos lares, mas isso, a gente sempre soube.



FICHA TÉCNICA:
Gênero: Comédia
Direção: André Pellenz
Roteiro: Fil Braz, Paulo Gustavo
Produção: Iafa Britz
Fotografia: Nonato Estrela
Duração: 85 min.

Um comentário:

Frank Davies disse...

Concordo com você, Rafael.
As piadas eram repetições, acho que o filme funcionou apenas como apresentação do humorista ao grande público. Sei de pessoas que não o conheciam e se divertiram mais do que nós, conhecidos desse grande ator.