domingo, 3 de março de 2013

Função Mãe



Por conta da greve de rodoviários que ancorou sobre o Rio de Janeiro neste final de semana, precisei andar de van  coisa a qual não tenho muita simpatia  para sair. Como se o interior do veículo não fosse suficientemente apertado, o motorista tentou colocar um número absurdo de pessoas possíveis. Por ora tudo bem, na sua medida do possível. Até entrar uma jovem que deve ter, no máximo, seus vinte e cinco anos. Magra, bonita e vestindo roupas típicas de quem mora em uma comunidade carente, ou favela, se preferirem. Estereótipo visualizado? Pois bem, em sua companhia, um menino que não passa de seis anos de idade, uma menina em seu colo, que não fizera nem anos, e um celular em sua mão. O filho mais velho, sentado ao lado da jovem mãe, segurou a bolsa que a mesma carregava e disse: "Tem algo quente aqui dentro, mãe." A mãe, em alto tom, responde: "É a comida né, ô inteligência." Esse foi apenas o primeiro comentário que precisei ouvir, e que infelizmente meus fones de ouvidos não deram vazão dentro da van. 

Durante o restante da viagem, a mãe continuou a fazer pouco de tudo o que o pequeno menino dizia e, destratando-o só conseguindo despertar em mim uma vontade incontrolável de levar aquelas duas crianças para longe dela. A bebê de colo, por sua vez, não falava - para a sua sorte - e é o tipo de criança que a gente se pega babando só de olhar. Amaldiçoei novamente meus fones de ouvido quando olhei para o lado e a vi mexendo no celular, dizendo: "Não dá nem para entrar no feice que tua irmã quer pegar o celular. Mas que merda." 

Seria inútil eu descrever o resto de porcarias que aquelas crianças ouviram. Porcarias as quais fui obrigado a ouvir junto com os demais passageiros  estes por sua vez, não demostraram qualquer aversão à cena. O tipo de tratamento que aquela mãe deu aos pequenos filhos me faz desacreditar em certos padrões de pensamentos com os quais não concordo, como o aborto. Mas a discussão não é essa e sim o tipo de pessoa que ela está formando. O tipo de caráter e personalidade que aquelas crianças vão crescer tendo. A influência materna na formação de um ser humano vai muito além se ele dos fatores sociais, econômicos ou culturais do seu meio.

A má influência dessa mãe que "só queria entrar no facebook sem sua filha tentar tomar o celular da sua mão" é o reflexo de uma geração sem nada na cabeça que não está pronta para assumir a responsabilidade matriarcal. Ou simplificando mais a situação, essa mãe não está pronta mentalmente para exercer valores que lhe faltam. Não escrevo como psicólogo, fundamentalista ou em direito da família, mas como alguém que é a favor das mães com o mínimo de consentimento de que assumir o papel mais importante para uma criança não é como    um brinquedo que se pode deixar de lado quando enjoou. Tampouco é a miniatura de um adulto a quem se pode esperar que entenda tudo o que se pede. A criança tem funções como uma esponja; ela absorve tudo ao seu redor. E eu poderia, inclusive, escrever citações de filósofos sobre a importância do amor materno ou o significado do termo família dentro de uma sociedade tão carente de valores como a nossa, mas aqui não se tornam necessários, quando até o ser humano mais leigo entende que,ao ser tratada com negligência, o futuro dessa criança se torna tão incerto quanto crescer sem ter alguém a quem espelhar-se.

Independente da crença, nível social ou qualquer outro fator, fica o meu apelo para as mães de que tratem melhor seus filhos. Que essas deem a atenção que eles precisam, o carinho que necessitam e o amor que lhes é de direto. As palavras proferidas contra uma criança, tenha ela a idade que tenha, marcam. Portanto, é preferível que um filho tenha boas marcas invés de ser marcado por palavras ofensivas, ironias, ignorância ou aquelas que ele ainda é novo demais para entender. Essas ai só farão com que a criança conheça o descaso e cresça desconhecendo o real valor do amor de mãe.

2 comentários:

CaahRocha disse...

Noossa vei. :/

Caroline Gomes de Oliveira disse...

Infelizmente há esse tipo de gente, se é que podemos chamar assim.
Ela não pode ser classificada como mãe.