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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A Menina Que Roubava Livros, a expectativa para o filme

Só quem já leu o livro A Menina Que Roubava Livros vai entender toda a ansiedade que passou a envolver os fãs desde que foi lançado, em 2005. A ansiedade tem valido à pena: as filmagens do longa baseado na obra de Markus Zusak já foram finalizadas em Berlim. Além de ter elenco definido, já foram divulgadas algumas fotos dos sets. A estreia será em Novembro, nos EUA e com previsão para 2014 aqui no Brasil. A Menina Que Roubava Livros conta com a direção do britânico Brian Percival (da série Downton Abbey) E o elenco é encabeçado pela carismática Sophie Nélisse no papel da personagem que dá título à obra. Além de contar com Geoffrey Rush (de Piratas do Caribe e indicado a melhor ator coadjuvante em O Discurso do Rei) e Emily Watson (estrela de Ondas do Destino, de Lars Von Trier, e do aclamado Cavalo de Guerra) como os pais adotivos da protagonista.

Para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade (ou a vontade) de ler A Menina Que Roubava Livros, me arrisco a fazer um breve resumo na esperança de que antes de assistirem ao filme possam ter o livro em suas estantes. A narrativa da história é dada pela Morte, que durante a Segunda Guerra Mundial encontra a jovem Liesel Meminger numa estação de trem ao ver seu irmão mais novo ser enterrado. O manual do coveiro é o primeiro livro que a protagonista rouba antes de ser entregue na charmosa Rua Himmel para um casal com melhores condições de criar a garota. Durante os quatro anos morando com a nova família, Liesel conhece Rudy (um dos personagens muitos personagens que envolvem os leitores) e com Max, um judeu a quem a família adotiva acolhe em seu porão. Ao todo, a Morte tem três encontros com Liesel durante a narrativa, e a última é sem dúvida a derradeira e mais emocionante de todas, fechando assim, um dos livros mais bem escritos de todos os tempos.

Em entrevista à Editora Intrínseca (responsável pela publicação em território nacional), Markus Zusak falou sobre a adaptação cinematográfica de seu livro. Disse não ter nenhum tipo de expectativa quando ao longa, o que tem a ver com toda a sua atenção no término de seu novo livro. Contudo, comentou com animação sobre a escolha para o elenco. "Se alguém me dissesse, quando o livro foi negociado para o cinema, que Geoffrey Rush e Emily Watson seriam escolhidos para atuar no filme e que contratariam um grande diretor, eu teria achado graça. Estou muito entusiasmado. Não tinha como contribuir com o roteiro, além de lê-lo e de dar algumas sugestões, mas posso levar algum crédito por Sophie Nélisse, a atriz que interpretará Liesel. Eu a vi no filme Monsieur Lazhar e pensei: “Ela seria uma ótima Liesel.” E quando a sugeri aos produtores, eles logo a procuraram e ela acabou conseguindo o papel. Tenho certeza de que Nélisse se transformará completamente em Liesel e a tornará maravilhosa." Tal entusiasmo foi complementado com as quatro considerações que o autor fez em seu tumblr após o término das filmagens.

1 - O elenco foi brilhante.
2 - Michael Petroni deu tudo de si no roteiro, que foi escrito com o amor e a coragem necessários para tomar as decisões difíceis.
3 - A Himmel Street realmente é a cara da Europa; tem a aparência e a sensação exatas.
4 - Briam Percival é claramente o diretor mais amado do mundo.







sábado, 3 de agosto de 2013

Scooby-Doo e o Apocalipse Zumbi


                         


Passei tardes e mais tardes assistindo aos desenhos do Scooby-Doo, vendo a Mistérios S/A combater todo o tipo de criaturas. Mais tarde pude assistir à dois filmes com atores de carne e osso dando vida aos personagens, estrelados por nomes como Freddie Prinze Jr. e Sarah Michelle-Gellar. O que nunca imaginei que veria (ingenuidade a minha, claro) era a turma do Scooby ambientada num universo fortemente inspirado pela série The Walking Dead. O responsável por isso é o artista visual de Pittsburg, Jeff Zoet. Responsável pela Direção de Arte e pela Fotografia, Jeff, com o auxilio de uma maquiadora e uma equipe de modelos para viver os personagens principais e os zumbis, deixou o ensaio com gosto de prévia para uma série que agradaria à todos nós, mostrando que essa zombiemania está longe de acabar.

    





                   






quinta-feira, 11 de julho de 2013

O grande erro de Paulo Gustavo: Minha mãe é uma peça

Havia um bom tempo em que eu não ia ao cinema, e minha vontade só aumentou, de umas semanas até aqui. Estrearam os filmes que esperei tanto para assistir. Universidade Monstro que o diga, mas o primeiro da lista foi a comédia do momento, Minha Mãe É Uma Peça. Afinal, levou 400 mil expectadores só nos três primeiros dias e estreia, segundo o uol.

Adaptado em Niterói, fala sobre a história de Dona Hermínia, personagem inspirada na mãe do humorista it, Paulo Gustavo. O roteiro gira em torno das situações cotidianas da personagem: a relação com os filhos adolescentes, com o ex marido e sua nova namorada, com a vizinhança do prédio onde mora e com o restante da família. Nada muito diferente de suas aparições no programa 220 Volts, no Multishow. Me arrisco a dizer que o filme em si soou como um episódio prolongado a ponto de ser considerado como uma comédia fraca e cansativa. O que deixa essa resenha em tom de crítica negativa. Mas verdade seja dita, porque gastar dinheiro indo assistir no cinema o que se pode ver na TV? É pra pensar.

Gosto bastante do Paulo Gustavo, de todos os seus personagens, sua expressão corporal e de sua genialidade como humorista. Esse deve ter sido o motivo principal para criar a expectativa que criei, e no fundo, devo estar equivocado com tudo isso; todas essas palavras podem perder o sentido a qualquer momento. Quero dizer, eu sou um em meio à milhões de expectadores que foram e ainda vão às salas de cinema para assisti-lo. Por essa razão temo ter de criticar toda a produção de um dos filmes mais esperados do ano, não apenas por mim.

Não é um filme que vá mudar ou inovar algo no cinema brasileiro. O humor tem seus momentos bons e proveitosos, isento da fórmula Zorra Total. Mas muitas vezes apela para o escapismo da piada do peido e outras sátiras tão erradas quanto. São nesses momentos em que eu quase grito de agonia, pois a genialidade de um grande humorista como o Paulo é ofuscada, não pela falta de atrativos da história, mas pela forma errada de abordar esse tipo de humor. Gosto de acreditar que o problema todo foi esse: ter ficado na zona de conforto que cerca o 220 Volts, tornando o filme apenas mais uma dessas comédias que estamos acostumados a ver e rir só por já conhecermos as piadas.

Depois de assistir ao filme, pude notar algo que à princípio só suspeitava. Embora vivencie dezenas de personagens, Paulo Gustavo me parece muito preso em três humoristas distintos. Como? Observe bem suas performances em três momentos: No 220 Volts, em Minha Mãe É Uma Peça e em seu novo trabalho, Vai Que Cola?

O Paulo do 220 foi o primeiro contato com um público que já não aguentava toda a chatice desse humor comprado da TV aberta. Ele chegou com a leva de novas atrações, como o canal Porta dos Fundos, que utilizou a internet como principal arma. E deixou sua marca interpretando personagens femininos que não ficaram caricatas como uns e outros por ai. O humor do Paulo do 220 não é comprado, é contido e censurado na medida certa, e agrada a todos até hoje. Diferente do Paulo Gustavo em seu filme. Em Minha Mãe É Uma Peça, o expectador já sabe o que esperar do enredo, do roteiro e até das piadas. Ele se destacou na área humorística interpretando a bem realista Dona Hermínia, mas fica massivo se jogar isso para um longa de uma hora e meia sobre as mesmas coisas de sempre. Uma vez que contracenam com ele, ainda no filme, os também humoristas Ingrid Guimarães, Samnatha Schmütz e Marcus Majella, sobra pouco espaço para esses nomes se destacarem de alguma forma além de atores convidados. Por fim, em Vai Que Cola?, série dirigida por Cesar Rodrigues e João Fonseca, Paulo Gustavo deixa de ser Dona Hermínia e vira um corrupto, ex morador do Leblon e que vai viver numa pensão na Zona Norte. A diferença desse Paulo, que ainda está no centro da história, é que há um espaço para se explorar o talento de seus colegas de cena. Chega soar como o extinto Sai De Baixo. A talentosa Samantha Schmütz encarna uma piriguete melhor que a Tatá Werneck na novela das oito, Cacau Protásio vive a viúva de um ex bicheiro e Marcus Majella tem a oportunidade de nos tirar mais risadas como um porteiro com gostos refinados e fã de Barbara Streisand. Além de Catarina Abdala, Fernando Caruso, Emiliano D'Avila e Fiorella Mattheis também garantirem seu humor no programa, equilibrando tudo em boas doses. Não é difícil notar esses três Paulos, está lá para quem quiser ver. 

Chego aqui, no último parágrafo, concluindo que, pelo meu ponto de vista (amado e odiado por muitos) vale a pena ir assistir ao filme exclusivamente por sabermos que Paulo Gustavo tem mais acertos que erros. Embora o filme tenha sido talvez seu maior erro, o segredo de sempre, é não criar expectativas. Contudo, é difícil, visto o tamanho do destaque que o humorista conquistou. Minha Mãe É Uma Peça é um filme que fala muito e por uma sucessão de erros, diz pouco. Não se pode esperar por novos elementos humorísticos e novas sacadas sensacionais, ele é sobre um apanhado da personalidade de cada mãe que existe em nossos lares, mas isso, a gente sempre soube.



FICHA TÉCNICA:
Gênero: Comédia
Direção: André Pellenz
Roteiro: Fil Braz, Paulo Gustavo
Produção: Iafa Britz
Fotografia: Nonato Estrela
Duração: 85 min.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Caracterização de personagens

Existem personagens do cinema que marcam nossas vidas. Seja por uma fala, uma participação, pela simpatia do ator ou qualquer outro fato que nos faça ficar apaixonados. E um dos fatores responsáveis por tal marco é sua caracterização. Todos os dias, vemos atores mudarem de rosto e de identidade, e encarnarem a vida de outra pessoa. Vemos personalidades mudarem e até passamos a amar o vilão, só pelo conjunto de simpatia, talento e caracterização que o ator transmite. Todos os anos, acompanhamos estes atores ganharem o Oscar com o divino trabalho de maquiagem de toda uma equipe, como Charlize Theron em Monster - Desejo Assassino, Meryl Streep em A Dama de Ferro e Natalie Portman em Cisne Negro. E mesmo aqueles que não ganham suas estatuetas, marcam gerações de cinéfilos e servem de inspiração para a nova leva de atores.

Jennifer Lawrence, Mística em X-men First Class (2011)

Eu confesso que até um tempo atrás ia morrer sem saber que a Mística de X-man - First Class era a Jennifer Lawrence. Antes mesmo de ganhar o Oscar de melhor atriz com O lado bom da vida, a nova queridinha de Hollywood deu vida à mutante e precisou de horas para ter a maquiagem pronta, completando ainda com lentes amarelas e uma peruca laranja.

Heath Ledger, Coringa em Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008)

Como não amar o Coringa de Heath Ledger? Um dos vilões mais aceitos pelo público, não precisou de tanta maquiagem, mas ainda assim transformou o ator no perfeito psicopata das histórias do Batman. Além do implante verde, Ledger precisou usar prótese de silicone para fazer a cicatriz na boca do palhaço.

Felicity Huffman, Bree em Transamerica (2004)

Está ai uma das minhas caracterizações preferidas. A linda e loira Felicity Huffman dando vida à uma transexual no drama Transamerica. A trama gira em torno da vida de Bree, após sua operação de mudança de sexo e na busca por seu filho. O filme em si é um espetáculo à parte, a atuação de Felicity é outra, mas a incorporação do personagem realmente nos faz acreditar que Bree é interpretada por um homem.

Helena Bonham-Carter, Rainha de Copas em Alice nos País das Maravilhas (2010)

Eu pularia essa, de tão óbvio. A musa e esposa do diretor Tim Burton, na pele da amável vilã Rainha de Copas. É mais um daqueles casos que o ator e a caracterização tornam o vilão mais adorado que o protagonista. Além da computação gráfica para aumentar a cabeça, Helena esbanjou a personalidade da Rainha com o auxílio da maquiagem. O Oscar de melhor maquiagem foi para O Lobisomen, mas Alice de Tim Burton levou o melhor figurino.

Brad Pitt, Benjamin Button de O Curioso Caso de Benjamin Button (2008)

Todos esperamos que Brad Pitt não fique assim em sua velhice, mas se depender da equipe de O Curioso Caso de Benjamin Button, o ator dos olhos azuis não será um coroa enxuto. Para viver a fase velha do personagem, Pitt passou por cinco horas de maquiagem e foi achatado por computador. O resultado teve tanto êxito que até dá para se acreditar na veracidade do velho Brad Pitt.

Nick Stahl, Assassino Amarelo em Sin City (2005)

Os fãs dos quadrinhos não tiveram tanto o que reclamar da adaptação de Sin City. Todas as caracterizações são fiéis aos personagens originais, mas a do ator Nick Stahl, é com certeza uma das mais drásticas. Quem vê o personagem, não imagina que por trás de toda a caracterização, existe o mesmo ator que contracenou com Mel Gibson em O Homem Sem Face, em 1993, quando ainda era um garotinho.

Ralph Fiennes, Lord Voldermot em Harry Potter e o Cálice de Fogo/Ordem da Fênix/Relíquias da Morte partes 1 e 2 (2005/2007/2010/2011)

Minha irmã até hoje não acredita que o Ralph Fienner interpreta o vilão da saga Harry Potter. Para encarnar Voldermort, Fiennes ficou irreconhecível ao colocar próteses dentárias e faciais. O ator britânico passou por duas horas e meia para ter a maquiagem toda completa e, além de não poder comer durante as gravações, teve o nariz amputado digitalmente para dar as feições ofídicas.

Danny DeVito, Pinguim em Batman - O Retorno (1992)

Passar por um filme do Tim Burton e não sofrer uma alteração que seja, é praticamente uma tarefa impossível. Danny DeVito eternizou o vilão dos quadrinhos do Batman, o Pinguim. A constituição física do ator ajudou à interpretação do personagem, e nos dias de hoje pode até parecer simples. Mas na época, as mãos, o nariz e os dentes falsos surpreenderam bastante os fãs.

Rebecca Romijn, Mística em X-men 1,2 e o Confronto Final (2000/2003/2006)

Se comparações podem ser feitas, que me desculpe Jennifer Lawrence, mas a Rebecca deixou a Mística muito mais sensual e provocante. Presente na trilogia de filmes dos X-men, a atriz holandesa, dona de lindos olhos azuis, passou por uma verdadeira operação de troca de identidade. Romijn recebeu 110 próteses que cobriram 60% do seu rosto. A maquiagem levou 9 horas para ficar pronta e a atriz não podia beber vinho, usar creme para a pele e voar um dia antes das gravações, pois tais atos modificariam um pouco a química em seu corpo.

Jared Leto, Mark David Chapman em Capítulo 27 (2007)

O vocalista do 30 Seconds To Mars também é uma das minhas caracterizações preferidas. Para viver o assassino de John Lennon, o cantor e ator engordou 32 kg devorando pizzas e tudo o mais. O resultado disso tudo foi um Jared Leto perfeitamente igual ao verdadeiro assassino.

Jhonny Depp, em DIVERSOS FILMES.

Falar de personagens e caracterização e não citar Jhonny Depp é quase heresia. O ator fetiche de Tim Burton já encarnou dezenas de personagens, em sua maioria nas produções do diretor, e mostrou suas várias faces nas telas. Seja no mórbido Edward Mãos de Tesouras ou no Chapeleiro Maluco completamente vesgo, Depp é o exemplo vivo de que, pelo menos em seu caso, a caracterização só perde para a excelente atuação.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Teus Olhos Meus

Dia desses, estava procurando alguns filmes para assistir e matar o tempo. Me lembrei que havia uma lista de produções que estiveram no Festival do Rio e me deparei com um título de 2011, Teus Olhos Meus. A princípio, a sinopse me pareceu um tanto clichê, mas a curiosidade foi maior e dei o play.

O longa brasileiro, escrito, dirigido e produzido por Caio Sóh, mostra a vida e os conflitos de Gil (Emílio Dantas) e Otávio (Remo Rocha), que têm suas vidas entrelaçadas por conta de diferentes situações. Gil, 20 anos, criado pelos tios, leva uma vida baseada em poesia, música, cigarros e álcool. E é esse estilo de vida que causa uma guerra familiar, fazendo o garoto ver reflexos disso em seu namoro com a jovem Carla (Juliana Lohmann) e o obrigando a sair debaixo do teto de seus tios. No outro extremo da história, está Otávio, um bem sucedido produtor musical, que vive um relacionamento de desconfianças com seu parceiro, Carlos (Cláudio Lins) e se vê tão perdido quanto o adolescente com quem esbarra em seus devaneios. A partir daí, Gil e Otávio constroem uma relação de dar inveja a todos que assistem ao filme. O que falta em um é completado pelo outro e assim, de uma forma simples, a relação de amizade entre os dois passa a se consolidar, até chegar ao derradeiro final.

É um filme oscilante. Com cenas bem sólidas e outras que só poderiam acontecer nas linhas de uma poesia bem feita. Mas se por um lado a simplicidade de tal produção ajuda a entender o universo dos personagens, por outro, deixa a desejar no desenrolar da trama. Fazendo o espectador entender o título só nos últimos minutos de filme. A trama se estende um tanto quanto clichê até alguns minutos antes do final, e mesmo assim não dá para desgrudar os olhos da tela. O final é um caso a parte, tão parecido com o de um curta, dando o que pensar quando os créditos aparecem. Faz do longa uma boa produção que não levanta bandeiras e que, mesmo sem recursos sofisticados, passa a ideia de poesia a cada diálogo.

Tão diferente de produções que estamos acostumados a assistir, Teus Olhos Meus consegue se consolidar com um bom roteiro muito mais promissor que o polêmico (e incestuoso) Do Começo Ao Fim (2009). Prova de que o patrocínio e a produção são adjuntos que não importam tanto quando se tem uma boa ideia no papel. O diretor Caio Sóh, que até então só havia produzido curtas, contou com a ajuda de amigos que aceitaram não receber cachê para filmar e partiu com tudo para dentro da história com uma câmera na mão, gerando alguns cortes bruscos e áudio confuso. A princípio, os poucos recursos incomodam nossos olhos críticos, portanto, deixam o filme com o clima que deveria ter. 

Teus Olhos Meus foi exibido no 4º Los Angeles Brazilian Film Festival, em abril de 2011 e tem a trilha sonora assinada pela cantora Maria Gadú, que até faz uma participação como ela mesma em uma das cenas. Cada elemento do longa nos transporta para dentro e nos faz acompanhar a história bem ao lado dos personagens, amando uns e odiando outros. Sem querer parecer prolixo, é um filme oscilante em todos os aspectos e que desperta sensações. E este deveria ser o maior requisito para que uma produção fosse considerada boa. Afinal, carecemos de trabalhos com esse nível de qualidade, que acrescentam não só no circuito cinematográfico, mas em nossas vidas.

FICHA TÉCNICA

Teus Olhos Meus (Soulbound)
Direção: Caio Sóh
Elenco: Emílio Dantas, Remo Rocha, Paloma Duarte, Roberto Bomtempo, Cláudio Lins, Jayme Matarazzo, Graziella Schmitt, Juliana Lohmann;
Trilha Sonora: Maria Gadú, Maycon Ananias e Aureo Gandur; 
Diretor de Produção: Bia Basílio; 
Diretor de Fotografia: Othon Castro; 
Produção de Designer: Junior Paixão, Ana Luisa Santanna, Joana Mendonça; 
Produção Executiva: Luana Lobo; Assistant Director: Daniela Rebello; 
Gênero: Drama.
Duração: 105 min.
Ano: 2011
País: Brasil
Escrito e dirigido por Caio Sóh.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Prévia musical de O Grande Gatsby trás Florence, Sia, Gotye e The xx.


Que eu sou apaixonado pelas trilhas sonoras de filmes, isto não é novidade. Afinal, quem não gosta? Um bom filme trás boas músicas, essa deveria ser a regra. As músicas marcam cenas, atores, produções e fica difícil de se esquecer do filme em questão.

E, ultimamente, quem tem prometido no quesito musical é a produção do filme O Grande Gatsby. Inspirado no romance do americano F. Scott Fitzgerald, em sua 5ª adaptação, o filme é estrelado por Leonardo Di Caprio (de A Origem), Tobey Maguire (da primeira trilogia de Homem Aranha) e Carey Mulligan (da adaptação de Orgulho e Preconceito) e se passa em Nova Iorque, na década de 20. A história, emoldurada pelo glamour da época, baseia-se no modo de vida de Jay Gatsby (Di Caprio), nos elegantes bailes em sua mansão e em seu romance arriscado com a esposa de Tom Buchanan (Joel Edgerton, de À Espera da Felicidade).

Cotado para abrir a 66ª edição do Festival de Cannes, no dia 15 de maio, O Grande Gatsby tem previsão para estreia no Brasil em 7 de junho. A direção do filme fica nas mãos do talentoso Baz Luhrmann (a frente também de Moulin Rouge e Austrália). Craig Armstrong fica responsável pela trilha sonora, tendo como produtor executivo Jay-Z,  que leva todo um toque contemporâneo aos anos vinte. Vale lembrar que a Senhora Jay-Z, Beyoncé, terá mais de uma música na produção, o que inclui um cover de Back To Black, de Amy Winehouse.

Craig Armstrong, ganhador do BFTA de melhor trilha sonora de Romeu + Julieta, contribuiu para a trilha sonora de Segundas Intenções (1999) e também Moulin Rouge (2001). E na prévia lançada dá para sentir o gostinho de boas músicas como Hearts A Mess, do multistrumentista australiano, Gotye; Crazy in Love, de Beyoncé, na voz de Emili Sandé; Young and Beautiful, com Lana Del Rey; Together, da banda The xx, além de Fergie, Florence + The Machine, Will.i.am, Sia e Jack White.




1. Bang Bang – will.i.am (0:01)
2. A Little Party Never Killed Nobody (All We Got) – Fergie, Q Tip & GoonRock (0:31)
3. Young And Beautiful – Lana Del Rey (1:01)
4. Love Is The Drug – Bryan Ferry with The Bryan Ferry Orchestra (1:32)
5. Over The Love – Florence & The Machine (2:03)
6. Where The Wind Blows – Coco O. of Quadron (2:33)
7. Crazy in Love – Emeli Sandé and The Bryan Ferry Orchestra (3:04)
8. Together – The xx (3:34)
9. Hearts A Mess – Gotye (4:06)
10. Love Is Blindness – Jack White (4:35)
11. Into the Past – Nero (5:06)
12. Kill and Run – Sia (5:36)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A magia que é crescer.



Não é só Daniel Radcliffe que está desencarnando de seu personagem bruxo em Harry Potter. Não é novidade para ninguém que Emma Watson (a Hermione, é claro), como era de se esperar, está no mesmo caminho. Após o sucesso no romance estadunidense, As Vantagens de ser Invisível, onde atua como uma garota descolada e independente, e faz par romântico com Logan Lerman, Emma agora vai muito mais além. Fica descolada até demais.

Estrelando um dos papéis principais, se não o principal, no novo filme de Sofia Coppola, The Bling Ring, Emma mostra que não está perdendo tempo. Mas peso, como foi estampado na capa da revista QG Britânica. Encarnada por sua personagem, Nikki, e trajando um vestido a lá Júlia Robert em Uma Linda Mulher, ela declara que a personagem é tudo o que ela detesta em uma pessoa: imoral, materialista e superficial.

Sofia Coppola conta a emocionante porém perturbadora história de farra no mundo dos adolescentes de Hollywood , enfatizando as festas regadas a drogas e mostrando as tentações que qualquer adolescente acharia difícil de resistir: a obsessão por marcas de luxo e a visão ampliada de uma vida glamourosa. Um grupo se destaca, conhecido na mídia como The Bling Ring, e o que começa como diversão fica fora de controle. Vale lembrar que The Bling Ring é baseado em uma história real e mostra um grupo de adolescentes invadindo casas de famosos para roubar dinheiro, jóias e até fotos pessoais das celebridades. Já estiveram na real lista de vítimas, nomes como os de, Orlando Bloom, Paris Hilton, Megan Fox e Lindsay Lohan. As atrizes Kristen Dunst e Leslie Mann estão no elenco. 

É ai que olhamos para todos essas fotos da trama da Copolla e, por um momento esquecemos que vimos Emma crescer diante das câmeras. E como foi rápido esse processo. Ontem ela vestia uma capa preta e usava os cabelos armados, depois bem curtos e hoje aparece sensual nos ensaios. Até segurando uma arma invés de uma varinha. Essa é a magia que faz crescer. Que afasta a imagem de uma personagem marcante para dar lugar a outras vidas. Essa magia também só funciona com o talento que Emma tem de sobra para nos fazer acreditar em suas atuações. Seria suspeito eu tecer mais elogios, uma vez como fã. Ainda não se sabe a data da estreia, ao que tudo indica, será no Festival de Cannes em Maio. Seja como for, até lá, estaremos ansiosos para ver Emma do modo mais diferente que já presenciamos: CRESCIDA.





terça-feira, 9 de abril de 2013

A Hospedeira: A Saga Crepúsculo.



Tirei a segunda-feira para ficar em casa, mas acabei indo ao cinema assistir A Hospedeira. A princípio, não me animei para ler o livro quando lançou. Parte por preconceito contra a Stephenie Meyer, parte por achar a história desinteressante. Quando vi o trailer, tal empolgação não apareceu. Parecia sempre tudo do mesmo: ficção científica, explosões, flashs impactantes... Mas ontem me livrei dos preconceitos e, munido de coragem, entrei naquela sala de cinema.

Eis um fato sobre o filme: não há fato nenhum, quase dormi durante suas duas horas e cinco minutos de duração. A trama, dirigida por Andrew Niccol, e baseada no livro da mãe de Crepúsculo, mostra a Terra invadida por uma espécie de alienígenas conhecidos como Almas. Pregando uma mensagem baseada na paz, as almas perseguem os poucos humanos que resistiram a dominação. Um deles é Melanie Stryder (Saoirse Ronan, de Um Olhar do Paraíso), mas que logo passa a ser dominada por uma alma chamada Peregrina. Entretanto, a consciência de Melanie ainda está viva dentro do corpo, o que faz com que Peregrina tenha que lidar com ela constantemente. Com o tempo, a alma fica cada vez mais fascinada com a vida e os sentimentos que Melanie tinha e passa a protegê-la de Buscadora (Diane Kruger, de Bastardos Inglórios), que deseja capturar seus amigos humanos o quanto antes.

A história em si é boa: a ideia de que os seres humanos acabaram com o planeta e só depois da invasão de outros seres foi que o mesmo pode-se reerguer é um bom material para tornar o filme digno de seu título como ficção científica. Ao menos tornaria, se não fosse pelo dedo podre da Stephenie Meyer nisso tudo. Perseguição minha contra a autora? Jamais, até já li um conto dele que gostei (Inferno na Terra), portanto, Meyer, como de costume, errou a mão nas doses de mal gosto. A começar pelo ser alienígena que renega seus instintos e passa a conviver com a humana. Uma espécie de romance entre duas espécies diferentes? Acho que já vi isso em algum lugar, mas relevei na hora em que comecei a assistir o filme. Talvez na esperança de que algo mudasse. As cenas de ação me fizeram esquecer desse momento Crepúsculo, mas quando o longa começa a ficar lento, tedioso e chato de verdade, PAM!, vem a porrada no espectador e a vontade de vomitar: um triângulo amoroso. 

No fundo, é apenas um Crepúsculo sobre alienígenas. Os últimos diálogos são extremamente piegas e dignos de uma cena de Bella e Edward. O meio usado para que o triângulo amoroso se desfaça é igualmente esdruxulo, para não dizer deplorável, como na saga de vampiros. É um filme o qual poderíamos esperar o melhor, uma história dessas tem potencial para entreter o público sem seus efeitos especiais e suas cenas forçadas de ação. Mas não, Stephenie Meyer tem que fazer algo sempre voltado ao diálogo para adolescentes, quase incitando a uma relação com três pessoas. Apesar da produção ser mais madura que a saga Crepúsculo, a base é a mesma. Este é um exemplo de como um escritor consegue falhar ao mudar seu público alvo e acaba cometendo o erro de repetir a mesma fórmula de seus romances anteriores. Não há questionamentos sobre nada, é só mais uma história para dormir, fez do filme uma produção a moda Tela Quente.

Os pontos bons? O pano de fundo teve seu mérito. E particularmente, acho deprimente avaliar a qualidade do filme apenas por seu pano de fundo. Uma das diferenças entre um bom filme e um ruim é que seu pano de fundo não é responsável por levar a história a diante. Como em Melancolia (Lars Von Trier, 2011), o pano de fundo do fim do mundo estava ali apenas para introduzir a personalidade de seus protagonistas diante do evento, nada mais. Talvez se Meyer tivesse um pouco mais de bom senso - e bom gosto -  teria escrito algo que valesse a pena, ou apenas parado no último livro Crepúsculo. Com toda a apatia do elenco e dos personagens, até dá para gostar da protagonista. Boa parte do carisma de Saoirse Ronan (que é uma boa atriz numa péssima história) deixa tudo mais suportável. 

A dica é não ficar esperando por algo tão positivo na produção, será raro encontrar. A Hospedeira: ruim, clichê, pegajoso, cansativo, elenco apático, mas suportável para aqueles que gostam de se aventurar nessas produções. Até MIB - Homens de Preto tem mais a oferecer como ficção científica, ou talvez eu esteja sendo crítico ao extremo, mas tenho certeza de que faltou pouco para tocar Extraterrestrial da Katy Perry nos créditos. Mais clichê impossível, se não fosse quase uma continuação da saga Crepúsculo.



FICHA TÉCNICA:

A Hospedeira (The Host)
Diretor: Andrew Niccol
Elenco: Diane Kruger, Saoirse Ronan, Frances Fisher, Max Irons, Jake Abel, William Hurt, Boyd Holbrook, Chandler Canterbury, Scott Lawrence, Raeden Greer, Marcus Lyle Brown, Shawn Carter Peterson, Mustafa Harris, Stephen Rider, David House, Phil Austin, Jaylen Moore, Tatanka Means, Evan Cleaver, Robert Douthat, Gustavo I. Ortiz, Alexander RoessnerProdução: Stephenie Meyer, Paula Mae Schwartz, Steve Schwartz

Roteiro: Andrew Niccol
Fotografia: Roberto Schaefer
Duração: 125 min.
Ano: 2013
País: EUA
Gênero: Ficção Científica/Romance
Cor: Colorido
Distribuidora: Imagem Filmes
Estúdio: Chockstone Pictures / Inferno Entertainment
Classificação: 12 anos

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Harry Potter e o Beijo Gay


O título é um chamariz a parte, porque o que Daniel Radcliffe mais quer é se desvincular do personagem que o tornou famoso no mundo do cinema. Não que seja uma tarefa fácil, afinal, foram dez anos dando vida ao bruxo mais famoso da década. Mas, vontade do ator é o que não falta: depois de ir para a Broadway duas vezes (com Equus e How to Succeed in Business Without Really Trying) e encarnar o remake de A Mulher de Preto (2012), agora é a vez de interpretar um poeta da geração beatnik no suspense Kill Your Darlings.


Daniel fez o teste para o filme em 2008, quando ainda estava em cartaz na polêmica Equus (peça em que o personagem mantém relações sexuais com cavalos), e por ainda estar em estúdio pelos dois últimos Harry Potter, acabou ficando de fora das gravações iniciais. Por sorte, o financiamento do filme foi cortado e quando finalmente o diretor conseguiu voltar a filmar, Dan estava totalmente disponível.

No longa, ele vive o jovem Allen Ginsberg, que em 1944, após a morte de David Kammerer se aproxima de Jack Kerouac (Jack Huston) e William Burroughs (Ben Foster), outros dois nomes notáveis da literatura nos anos 50. O crime marcou o início da geração de escritores conhecida como beatnik. E o filme conta as experiências dentro da viagem dos poetas para encontrar sua sexualidade e sua voz como escritores. Dentro desse enredo, o que certamente tem gerado toda a polêmica em torno da produção, são as cenas de beijo e sexo gay que Dan protagoniza com um marinheiro. 



Em entrevista ao MTV News, disse ter ficado surpreso pelo fato de a cena causar tanto espanto.
"Isso é algo muito estranho para mim, porque vemos sexo hétero a todo momento. E nós já vimos cenas de sexo gay antes. Não sei por que uma cena de sexo gay seria mais chocante que uma hétero", e disse ainda "Foi algo novo. Mas sabe o quê? Nós fizemos a cena em, provavelmente, uma hora e meia, em um ritmo muito veloz. Eu, na verdade, nem tive tempo para parar e pensar e me preocupar em relação a isso".


Kill Your Darlings estreou dia 14 de Março deste ano no Sundance Filme Festival, e ainda não tem data para ser lançado aqui, muito menos título em português. Ganhou o prêmio de melhor diretor no Palm Springs International Film Festival e recebeu críticas favoráveis com notas de 8 a 10. Agora, é esperar pelo lançamento aqui e que este seja bem recebido pelo nosso público. É um filme que tem tudo para ficar na memória e no currículo de um ator que todos nós conhecemos. Claro, não que isso seja um real problema, mas será bom ver o Dan mostrando que a cicatriz em forma de raio nunca mais o incomodou. 


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Trailer Completo de Carrie a Estranha.


Assisti ao trailer mais cedo e não consegui não lembrar dos comentários de fãs da saga Crepúsculo, irritadíssimos com o que o Stephen King disse sobre a saga de vampiros. No bom e velho português, ele deixou a entender que Stephanie Meyer é indigna de qualquer crítica literária. Motivo de sobra para os fãs da autora xingarem muito no Twitter! No meio dos comentários indignados contra o mestre do suspense, presenciei as piores palavras que alguém pode escrever, que iam de "Então explica porque Crepúsculo faz tanto sucesso" até "O nome disso é inveja, o cara não sabe nem onde está o próprio nariz, alguém avisa para esse cara que a saga tem milhões de fãs". 

Não tomando partido na briga chata entre fãs com um possível retardo mental em criticar o King, o trailer de Carrie chega em resposta a qualquer crítica (não que elas sejam críticas consideráveis), mostrando que o romance publicado em 1974 ganhará sua terceira versão no próximo outubro. 

Depois de encarnar uma criança comicamente madura em 500 Dias com Ela, uma vampira em Deixa-me entrar e uma lobisomen em Sombras da Noite, Chloë Moretz, que já está confirmada na sequência sanguinária de Kick Ass, será o novo rosto de Carrie White. Contracenando com Julliane Moore, no papel da mãe religiosamente fundamentalista que reprime a filha por menstruar e querer se interessar por garotos.

Para quem nunca assistiu a nenhuma das versões (o que acho difícil, pois até na Broadway já aconteceu uma adaptação da obra em 1988), o filme pouco se diferencia do livro de Stephen King. Carrie é uma adolescente dócil, reprimida pela mãe conservadora e passa a ser alvo de brincadeiras ofensivas no colégio. A professora Desjardin (nesta versão vivida pela atriz Judy Greer, de De repente 30) é a única em favor de Carrie, protegendo-a da arrogante popular Chris Hargensen (Portia Doubleday, de Rebelde com Causa) O ápice das brincadeiras de Chris com Carrie se dá no baile, onde a garota é levada a seu limite e desencadeia uma verdadeira catástrofe envolvendo seus poderes telecinéticos por toda a cidade.
 
A direção dessa vez fica nas mãos de Kimberly Peirce (do aclamado Meninos Não Choram), seguindo o roteiro de Roberto Aguirre-Sacasa (responsável por roteiros de quadrinhos da Marvel e episódios da série Glee) e produzido por Kevin Misher (de Inimigos Públicos com Johnny Depp). 

Mesmo que saibamos o derradeiro final, com uma equipe desse porte, um elenco com bons nomes e um trailer que enfatiza o lado perturbado de Carrie, será difícil se decepcionar quando estrear nas telonas. 

terça-feira, 5 de março de 2013

Colegas


Pense na história: três jovens fogem de um instituto e viajam pelo país em um carro roubado e assaltando lojas para continuarem abastecidos de comida e roupa. A polícia atrás deles - o que dá ao filme cenas de perseguições a lá Tarantino -  por estarem fortemente armados (com armas de brinquedo) e cada um em busca do sonho da sua vida. Pensou? Então acrescente ai Síndrome de Down nesses três jovens. Acrescente também uma produção brasileira com nomes como Lima Duarte, Leonardo Miggiorin, Marco Luque e Juliana Didone. Depois de tudo isso, a imagem ficou boa em sua mente? Sim, a imagem sim, mas o filme passou longe.

Colegas, filme dirigido por Marcelo Galvão,conta a história três jovens Down decidem fugir do instituto o qual fazem parte para seguir seus sonhos. Stalone (Ariel Goldenberg) sonha em ver o mar, Aninha (Rita Pokk) deseja casar-se e Márcio (Breno Viola) quer voar. Inspirados em famosas produções cinematográficas, os três roubam o carro do jardineiro e, durante a jornada, se deparam com situações que põe a prova o quanto estão disposto a seguir seus sonhos.

É uma produção cansativa e parece que a inclusão de atores com Down não torna o filme menos razoável. Em certos momentos, no decorrer da história, ainda tem-se a esperança de que algo salvará toda uma produção falha. E até temos uma ou outra cena que descontrai toda essa bagunça que ficou o filme, mas ainda assim não é o suficiente para desconsiderar os erros gravíssimos. Ainda consegue-se salvar algo no quesito Direção de Arte, o enfadonho problema foi o desencontro da coerência. Em certas cenas dá para jurar que o filme se passa na década de 70 e na de 80, com direito a aparição de Raul Seixas, até algum personagem citar falas de filmes como Cidade de Deus e Tropa de Elite. E esse desencontro gera um imenso conflito na mente de quem assiste, a ponto de precisarmos parar e raciocinar se há algo de errado,perdendo alguns minutos do que está passando na tela.

Boa parte do cansaço se dá pela narração de Lima Duarte, que deixa tudo como uma grande fábula. O filme em si dava conta de se auto explicar sem precisar de uma narrativa que o deixou com cara de filme infantil. A narrativa só compete com a atuação da polícia no quesito cansaço. As cenas são contadas através do ponto de vista dos jovens e dos policiais que estão em sua busca, tornando desnecessariamente, o apoio policial numa grande piada, uma vez que o elenco principal já se encarregue de nos tirar boas e sinceras gargalhadas. Essa força desnecessária do tom cômico nas cenas policiais não chega a ter nenhuma conclusão quando as luzes se apagam e o filme termina. Muitas coisas ficam soltas no ar, inclusive o questionamento se deveria ter ido assistir a outro filme.

De todo modo, salva-se as atuações do trio principal, que independente do problema da compreensão na fala, passa a credibilidade para o público. Um trio que dá o toque especial na comédia, no drama, e até nas cenas de assaltos e perseguições. Além da trilha sonora concisa que embala o longa. A sequência final dá um pouco de alívio e mostra que não foi tudo uma grande perda de tempo, embora os pontos negativos gritassem dentro de mim quando sai do cinema. Gosto do caos que os protagonistas incutem sobre a cidade... Acho interessante visto do ponto em que, no final, já estavam mandando equipes de atiradores de elite para capturá-los. Mostrando assim, o tão conhecido medo que o ser humano tem do desconhecido.

Não gosto de escrever críticas negativas sobre filmes. Talvez pelo fato de querer que o leitor se delicie com a crítica e vá logo tirar suas próprias conclusões. Com a crítica negativa, temo por gerar um desânimo do outro lado da tela e acabar contaminando a opinião alheia. Mas não há nada que eu possa fazer. O filme tem potencial para ser indicado ao Oscar, recebe prêmios no exterior, vence festivais, mas deixa a desejar em vários quesitos, tornando-se assim, uma sucessão de equívocos na grande tela.

Colegas ganhou o prêmio de público do 27º Festival del Cinema Latino Americano di Trieste, na Itália, também levou o prêmio de melhor filme no festival de cinema International Disability Film Festival Breaking Down Barriers na Rússia, além de ter sido exibido no Red Rock Film Festival, nos EUA e foi o grande vencedor da última edição do Festival de Gramado, levando Melhor Filme, Melhor Direção de Arte e Prêmio especial do Júri. Merecido? Em partes. Não sou o melhor crítico de cinema para julgar o trabalho do Marcelo Galvão. Mas quando uma produção, que se dispõe a ter atores com Down, mostrando que a vida deles é tão repleta de sonhos e vontades quanto a nossa (não portadores da síndrome) se deixa ter muitos equívocos visíveis, a mesma se torna presa fácil perante a grande exceção de expectativas das críticas ruins.

Ficha técnica
Diretor: Marcelo Galvão

Elenco: Ariel Goldenberg, Rita Pokk, Breno Viola, Lima Duarte, Rui Unas, Deto Montenegro, Leonardo Miggiorin, Marco Luque, Juliana Didone, Christiano Cochrane, Alex Sander, Amélia Bittencourt, MarceloGalvão, Maytê Piragibe, Monaliza Marchi, Daniele Valente, Nill Marcondes, Pedro Urizzi, Roberto Birindelli, Elder Torres, Oswaldo Lot, Alexandre Tigano, Theo Werneck, Carlos Miola, Giulia de Souza Merigo, Simone Teider, Anna Ludmilla, Simone Teider
Produção: Marcelo Galvão, Marçal Souza
Roteiro: Marcelo Galvão, Ricardo Barreto
Fotografia: Rodrigo Tavares
Duração: 103 min.
Ano: 2012
País: Brasil
Gênero: Comédia
Cor: Colorido
Distribuidora: Europa Filmes
Estúdio: Gatacine
Classificação: 10 anos