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quinta-feira, 18 de julho de 2013

O Instagram é do Norm

Não há prato de comida ou qualquer uma dessas coisas vintages que viraram moda postar no Instagram que resista à fofura de Norm. Com mais de 50.000 seguidores, o americano de Seattle, Jeremy Veach, começou, em janeiro, à postar fotos de seu cão em sua conta do Instagram. E de lá para cá, os acessos não param de crescer. Isso tudo por quê Norm, um Pug muito adorável, é fotografado em diversas situações que surgem na mente de seu dono. Vale a pena dar a conferida nas fotos de Norm, o cão que consegue ser mais adorável que a maioria dos usuários do site. 











O Caneta indica a visita ao Instagram do dono de Norm para conferir o restante das fotos.
instagram.com/jermzlee

domingo, 30 de junho de 2013

Brasil em Cartaz (Música feita com conteúdo dos cartazes das manifestações)

Que o Brasil está passando por um novo processo de construção, todos nós sabemos. As mídias (e redes sociais) não falam de outra coisa. E olha que coisa boa, logo na época da Copa das Confederações, onde todos os olhares estão voltados para nós. As manifestações que ganharam as ruas há quase um mês começaram por 20 centavos no aumento da passagem e tomaram proporções estratosféricas. O povo viu que tem voz e saiu do facebook para protestar por nossos direitos! Em sua maioria jovens da minha idade (até mais novos) com gritos de protestos, camisas com mensagens, rostos pintados e cartazes. Tais cartazes que levam diversas mensagens sobre aspectos que nosso país carece. Há os bem elaborados, os cômicos (porque nós somos assim, a risada tem que ser presente em qualquer tipo de ambiente), os com trechos de músicas, citações e por ai a gente se perde na multidão.

Contudo, as manifestações não ficam só nas ruas, elas ganharam também nossas redes sociais. Desde o último dia 21, um vídeo circula pela internet e foi, sem dúvida alguma, um dos melhores que já assisti sobre essa onda de protestos. É uma música feita com o conteúdo dos cartazes de manifestações de todo o país. O nível de produção é excelente e me arrisco a dizer que barra muito Teló, Naldo, Anitta e mais nomes populares do atual cenário musical brasileiro. O vocal fica por conta do músico Thiago Correia, que contou com a ajuda de uma equipe talentosíssima para dar voz aos nossos cartazes. Mostrando que nós, brasileiros, somos talentosos por natureza. Conseguimos extrair algo bom mesmo de um manifesto, a princípio pacífico, mas que causou graves acidentes devido à truculência de certos vândalos e policiais. As cenas do vídeo deixou claro pra mim, mesmo sem haver dúvida, que a galera que está envolvida nisso tudo está consciente sobre o que está protestando. E confesso que faz um bom tempo que não fico arrepiado dessa forma, com os olhos marejados ao ouvir a música. Tenho certeza de que essa é reação que Brasil em Cartaz causa em todo o povo brasileiro, por que a música é do Thiago e toda uma produção, mas a voz é nossa.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Preconceito fotografado


Quem está seguro do preconceito? Quero dizer, completamente seguro. Ninguém, é claro. A palavra sempre é uma palavra muito forte e mutável, portanto, me arrisco a dizer que, esse preconceito sempre existirá. Algumas vezes de forma tão explícita que chega a ser absurda. É preciso ficar atento no que se fala e na forma como se fala. Contudo, nem só de palavras está armado esse tal preconceito. Ele vem carregado num olhar, num gesto de cabeça, em uma torcida de nariz, disfarçado de curiosidade e desinformação. Ninguém está seguro mesmo, até que haja a conscientização que o diferente só é questão de ponto de vista.

Foi inspirada nisso, que a fotógrafa americana, Haley Mori Scafiero fez fotos registrando esse comportamento das pessoas na rua. A série se chama "Wait Watchers" (um trocadilho com Weight Watchers, algo como Vigilantes do Peso) e mostra a própria Haley em situações do cotidiano, em determinadas posições estratégicas. A ideia veio enquanto fazia um trabalho anterior intitulado de "Something to Weight". Nesse trabalho anterior, Haley tirou uma foto dela mesma sentada na Times Square para retratar sua solidão em meio à multidão. Uma boa visão, mas quando a artista viu as fotos, percebeu que atrás dela, havia um homem marcado por uma careta ao olhá-la. Após esse episódio, a fotógrafa inverte a perspectiva e acentua o quanto ainda não sabemos lidar com as diferenças. É uma ideia e um trabalho que cai como uma mão fechada sobre nossos rostos, num soco de realidade. 

"Eu sempre fui consciente das pessoas fazendo caras e bocas, rindo e comentando a respeito do meu tamanho. E agora eu resolvi inverter o olhar e registrar a reação das pessoas enquanto eu executo minhas tarefas cotidianas em espaços públicos."  












sexta-feira, 5 de abril de 2013

Aquilo que o mundo precisa ver

Esse é um daqueles comerciais que o mundo precisa assistir, e que deveria ser disponibilizado em todas as emissoras dos mais diversos países. Bem no estilo Uma foto por dia, mostra diversas fotos de uma linda mulher que, com o passar do tempo, acaba revelando viver um constante problema em sua vida. Problema que infelizmente se faz presente nos lares, não só brasileiros, mas de todo o mundo. Uma pena que este comercial não tenha sido uma iniciativa brasileira, pois seria de grande ajuda para combater a violência contra a mulher. Lembrando que, mesmo com a atuação da Lei Maria da Penha, ainda existe mulheres que de alguma forma relutam em deixar e denunciar seus agressores por medo, ameaças e outros fatores. Vale a pena levar a ideia adiante e esperar que esse tipo de comportamento seja banido da nossa sociedade.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Breves amores de metrô



Quem nunca passou a viagem inteira se apaixonando por um carinha bonito no ônibus, trem ou metrô? E até o encarou? Pois é, acho que todos nós já sofremos esses breves amores em nossas viagens cotiadas. E não tem como fugir; você sempre encontrará alguém que prenda sua atenção, que faça a imaginação criar inúmeras situações, e antes mesmo de pensar qualquer outra coisa, chegará a estação dele e você ficará se lamentando. É triste, engraçado, mas é real.

Uma galera de Londres pensou nisso e criou um site, bem no estilo catálogo mesmo, para todos se deliciarem com fotos dos nossos amigos e pretendentes que não sabem que são nossos amigos e pretendentes. O site conta com centenas de envios de fotos dos rapazes de todos os tipos: brancos, negros, morenos, ruivos, altos, baixos, barbudos, musculosos, gordos, excêntricos... E faça frio ou calor, as fotos continuam, não tem tempo ruim! Vale a pena dar uma conferida e babar em alguns rapazes que a gente agradeceria caso nos esbarrassem nos trens daqui. TubeCrush.net



        

    
   
    
             
      
      
     
    
   



terça-feira, 19 de março de 2013

Christina Rocha desce o barraco

A semana mal começou e já temos assuntos que movimentaram as redes sociais e as rodas de amigos nas ruas. Foi uma sequência mal feita em Salve Jorge, as explicações de Glória Perez no twitter, a reta final do BBB... Que chato eu citar só exemplos da Rede Globo, não? Há quem diga que troque de canal e mude a programação para algo mais construtivo que um reality show ou uma novela. E que diga ainda que essa emissora manipula as informações e veda nossos olhos. Acho isso tudo uma grande baboseira de quem não tem o que falar. Mas OK, vamos partir do princípio que mudemos de canal e vamos parar na emissora do Silvio Santos.

Satisfeito? Agora vamos assistir Chaves, Chapolin, Três é Demais, Bom dia e Cia, Casos de Família... Que agora se chama "Quem convence ganha mais". E é ai que estamos estacionados na tarde da última segunda-feira (18) para assistir a apresentadora Christina Rocha expor ao público os problemas da família brasileira. Como se precisássemos de algo para comprova-los. 

Não sei e não precisei saber sobre o tema em questão da edição do programa para comprovar aquilo que acredito: dê ao povo pão e circo. E ele aceita, sem questionar coisa alguma. Poderia ficar horas aqui explicando essa frase da política Romana e que muito se aplica a nossa sociedade, não só na política mas em outros termos, como a cultura. Pão e circo deveria ter sido o tema do programa, onde uma mãe afirmou que, se pudesse, mataria todos os filhos. Logo depois, quando a participante foi questionada por Christina sobre o tratamento dado à filha: “Sua filha é tão ‘bacana’. Por que você trata ela assim?”, a mãe disparou: “Bacana? Tão ‘bacana’ que me trouxe nessa baixaria!”

Foi a frase chave para a apresentadora "descer do salto" e humilhar a convidada, com apoio, aplausos e algazarra da plateia. Mais pareceu uma briga de rua, onde Christina esbravejou "Você não é uma mulher, você pra mim é um monstro, não existe ex filha não, mas macho tem pra toda hora! Tenha vergonha na sua cara, vir dizer que aqui é baixaria! Baixaria é você que não tem vergonha na cara!"
Como se não bastasse o acesso de raiva, Christina ainda expulsa (SIM, EXPULSA) a mãe convidada do programa. E ponto, mais um dia foi salvo graças a Christina Rocha.


Não vou julgar a conduta ou o caráter da apresentadora, mas estava na cara o tempo todo que foi uma briga dessas que a audiência sobe descontroladamente. Então foi armada? Mas é claro que foi. Quem se dispõe em ir num programa de TV ser humilhado em rede nacional? Que emissora se dispõe a deixar no ar uma das cenas mais absurdas da rede de televisão brasileira? 

Quer dizer, não cabe a mim um discurso de "parem de assistir TV" ou qualquer um desses discursos fajutos contra as emissoras, alegando que os programas não nos façam adquirir cultura alguma, mas parece que o SBT só fez um bom trabalho ao deixar no ar um programa desses, pois tem público. Há um grande público que vibra a cada programa, a cada tema, a cada barraco. E que aplaude atitudes como essa. E é boa parte deste público que ainda reclama que assistir ao BBB torna as pessoas ausentes de cultura, portanto não enxerga que de pão e circo nossos canais estão cheios.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Desligue-se!


Somos todos parte de uma grande rede. Estamos interligados uns aos outros por fios e gigabytes, que substituíram o aperto de mão, o olho no olho e o calor humano. Nos tornamos escravos da praticidade, donos de uma nova língua, mestres de abreviações e doutores em diversos assuntos que nunca estudamos um período sequer. O "vc", o "td", o "ñ", o "rs" substituíram as horas intermináveis das aulas de português na escola. Os e-mails tornaram nossos dedos mais ágeis e nossas mãos mais atrofiadas. O botão de "like" entrou no lugar das linhas sobre nossas opiniões próprias e as fotografias passaram a ser pensadas unicamente para os perfis eletrônicos. Ganhamos novos endereços, onde o CEP virou o arroba. Conquistamos o direito de sermos quem quisermos, tendo quantos anos preferirmos e falarmos o que bem entendemos sobre aquilo que não entendemos.

Nostradamus deve ter citado algo sobre esse novo tempo, mas atualmente seu nome foi esquecido com os de outras personalidades para que pudéssemos abrir espaço no disco rígido da nossa cabeça, a ponto de preenchermo-nos com informações mais relevantes. Nos tornamos próximos de quem mora em outras cidades, outros países, mas vimos se abrir um abismo que nos distanciou de amigos que moram em bairros vizinhos ao nosso. E nem o celular mais ameniza essa distância criada entre nós. A popularização dos aparelhos celulares sofisticados transformou todos em meros androides. E hoje, todo mundo ama comprar esses sistemas pela diversificada funcionalidade que o mesmo propõe, tornando a função falar, o último requisito para adquirir a compra.

Nossos sentidos foram modificados e estamos passando por uma nova seleção natural. Já são poucos os que ainda sentem o cheiro de livros. Os links para downloads ataram nosso tato e as páginas, outrora de papel, foram transformadas em dados, e hoje brilham no monitor. As crianças preferem ter visão e audição voltadas para a tela. Não há mais amarelinha na rua, pique com a galera do bairro, bolinha de gude na areia da pracinha. Percebe-se que, além disso tudo, até a comida nossa de cada dia perdeu sua função e não pode mais ser digerida sem antes fotografada.

Nós não pagamos pela maioria dos serviços que utilizamos quando ficamos na frente de um computador, e há uma teoria que diz que quando não pagamos por tal serviço, nos tornamos o produto. Acreditando ou não, usufruímos de coisas que se tornaram uma necessidade a todos, mesmo não sendo tão necessárias assim. Criamos em nossa mente a necessidade de que devemos ter uma vida cibernética, eletrônica. E são poucos os que conseguem equilibrá-la com o que sobrou da vida real. Todavia, nós, os exilados desse futuro digno de filme do Spielberg, continuamos aqui: participando de tudo isso por medo de sermos aniquilados de rodas sociais e até de empregos. Continuamos no mesmo endereço, com o mesmo CEP, o mesmo número de telefone, esperando que alguém bata em nossa porta para uma visita. Quem sabe, trazendo até um livro. Seria uma boa experiência antes da extinção.


segunda-feira, 11 de março de 2013

Eu não sei ser hétero


Eu não sei ser hétero, não sei mesmo. Sei lá, não consigo me adaptar. 
Queria ser, talvez fosse uma vida legal, normal, ausente de qualquer preocupação mental e física. Seria o máximo sair com meninas, beijá-las, e até ficar excitado. Mas isso tudo não se resume ao sexo, não é? Que ideia louca de pregar a heterossexualidade como ato de procriação e perpetuação da espécie. Seria nos tratar como animais, como cobaias para superlotar um planeta já superlotado.

Diante de algumas citações que incitam o ódio que li durante a semana, fiquei realmente pensando se não seria melhor eu fazer um pouco mais de esforço e virar um heterossexual. Li sobre um pastor que diz que é pecado ser gay, sem contar no insulto que ele propagou sobre negros e católicos. Confesso, fiquei com muito medo. Me senti coagido com tal discurso. Será mesmo que Deus condena a prática do amor entre dois homens? Talvez não precise se tratar de amor, mas de dois homens estarem juntos. Ir contra isso é uma visão que me assusta e me deixa com medo de sair na rua. Ora, eu não quero ser chamado de demônio ou coisa pior na rua. Convenhamos que ninguém quer.

Eu quero levar uma vida normal, quase como uma vida de hétero. Eu não sou tão ruim assim. Tive boas notas no colégio, sempre ajudo a quem precisa, sou um filho direito, não me drogo, não dou dor de cabeça para os meus pais... Mas tenho esse defeito de fábrica. Fui produzido com algo diferente que me destacou. Nasci gay. Gosto de pensar dessa forma, é uma boa maneira de amenizar uma possível culpa por ser como sou. Meus genes devem ser iguais aos seus ou de qualquer hétero que passe por mim na rua, mas no fundo em devo ter algo de diferente dentro de mim. Cientifica, mental ou até espiritualmente.

Eu não penso em casar ou ter filhos, mas posso começar a partir de hoje se me prometerem que heterossexualidade é sinônimo de felicidade. Ai eu posso ficar mais tranquilo se me derem o atestado da felicidade de uma vida hétero. Posso passar a pensar em ter uma família, uma esposa, um filho... Mas se eu virar hétero e tiver tudo isso, ensinarei a eles que não se deve discriminar ninguém pelo seu defeito de fábrica. Não só por isso, mas pela sua cor, sexo, visão política, religiosa, filosófica e social. Quero ser um hétero do bem e ensinar ao meu filho que preconceito não leva a nada. Que se ele quiser acreditar em Deus, que acredite num Deus bom, e não no deus tirano que tentam me obrigar a conhecer. Porque será assim, meu filho vai acreditar se quiser, mas independente de qualquer crença em que ele se sinta bem, lhe ensinarei valores para com sua própria vida para que não falte com respeito a quem não pensa como ele. Será um filho que não terá medo de fazer as coisas de mulherzinha (e ele nunca ouvirá essa expressão da minha boca), que não se sentirá mal quando uma menina for melhor que ele em alguma atividade, saberá respeitar idosos e expor sua opinião de forma sábia. Contarei com minha esposa para essa missão quase impossível.

Eu não quero que meu filho entre numa igreja por se sentir bem e saia coagido com um discurso sobre ódio. Assim como não quero que ele se sinta bem sendo ateu mas menosprezando a cultura do candomblé, do catolicismo ou qualquer outra crença. Quero um filho são, salvo de qualquer preconceito. Um filho que caso se sinta atraído por meninos, entenda isso como orientação e não opção. Que veja como um presente e não um defeito de fábrica, como me foi imposto. 


São essas as exigências que faço para uma vida hétero. E que tendo uma mulher, ela saiba me respeitar como marido, não sendo submissa, mas criando um diálogo sempre que se sentir insegura com alguma ação minha. Tendo um filho saudável e livre de falsos padrões, que não duvide que dois pais gays ou duas mães lésbicas sejam inferiores ou menos eficazes quanto eu e sua mãe na criação de uma criança. 

Se essa vida hétero me fizer mais feliz, eu aceito e assino onde for. Mas parte de mim não acredita tanto. Não que héteros não sejam felizes, conheço muitos que são e os admiro. Só não gosto de ver um discurso anti-homossexual das pessoas que parecem não enxergar as atrocidades que acontecem com famílias normais. Eu não quero voltar a ver casos de filha que mata os pais, ou de pais que jogam criancinhas da janela do prédio... Eu quero ligar a TV e me certificar de que o mundo está mudando. Que a vida hétero é tão feliz e construtiva quanto a gay. Sou contra crianças presenciarem brigas dos seus pais, e sou mais contra do abandono de mães que rejeitam seus filhos na lixeira mais próxima. 

Quando contei para os meus pais dessa minha condição de fábrica, o mundo caiu. Minha cabeça não estava preparada para ouvir tudo o que ouvi. Foi um choque, claro que foi. Mas depois de um tempo eu ouvi meu pai dizer que tudo bem se aquela era a minha opção, contanto que eu não fosse promíscuo. Sempre fico confuso com aquilo até hoje. O que ele, com seus cinquenta e poucos anos, deve entender por promiscuidade? Seria promiscuidade se eu fosse para uma boate e pegasse pelo menos cinco meninas? Acho que não, acho que seria coisa de macho. E se eu saísse com meninos diferentes a cada final de semana, isso seria? Tudo me faz crer que sim. Mas eu não o julgo, e nem posso. Ele é meu pai, não teve o excesso de informação que nós, mais jovens, temos hoje. Talvez ele só fique mesmo preocupado, coitado.

Eu acho que não sei ser hétero mesmo. Eu não sei tentar ser algo que não sou. Não fui ensinado assim. Parece que pra ser hétero você precisa hostilizar o outro, chamando-o de bichona, bichinha, veadinho, mariquinha, mulherzinha... Eu não me acostumo com isso. Não quero ser um hétero assim. Quero ser um hétero como os que convivem comigo, não como os estereótipos ambulantes que sou obrigado a presenciar nas ruas e nas mídias. Não quero ter uma visão sexual ao ver duas mulheres, não quero ficar excitado com isso. Quero imaginar que ali existe uma relação de cumplicidade e afeto. 

Pensando melhor, depois de todas essas questões, olhando por uma outra ótica, não preciso tentar me curar ou me enquadrar em um padrão estabelecido. Eu gosto do meu defeito, e tenho encarado-o como uma dádiva. Eu sou uma pessoa do bem, um cidadão que não precisa ser julgado se é gay, hétero, bissexual, transexual... Eu gosto de ser eu mesmo e gosto de acreditar que todas as pessoas precisam ser assim. Que todos ao meu redor fechem os olhos do preconceito e abra os do respeito. Nós não nascemos com rótulos e de fato a única condição que nos é imposta quando viemos ao mundo é a de ser humano. A partir dai, a diferença está nos olhos de quem vê.


domingo, 3 de março de 2013

Função Mãe



Por conta da greve de rodoviários que ancorou sobre o Rio de Janeiro neste final de semana, precisei andar de van  coisa a qual não tenho muita simpatia  para sair. Como se o interior do veículo não fosse suficientemente apertado, o motorista tentou colocar um número absurdo de pessoas possíveis. Por ora tudo bem, na sua medida do possível. Até entrar uma jovem que deve ter, no máximo, seus vinte e cinco anos. Magra, bonita e vestindo roupas típicas de quem mora em uma comunidade carente, ou favela, se preferirem. Estereótipo visualizado? Pois bem, em sua companhia, um menino que não passa de seis anos de idade, uma menina em seu colo, que não fizera nem anos, e um celular em sua mão. O filho mais velho, sentado ao lado da jovem mãe, segurou a bolsa que a mesma carregava e disse: "Tem algo quente aqui dentro, mãe." A mãe, em alto tom, responde: "É a comida né, ô inteligência." Esse foi apenas o primeiro comentário que precisei ouvir, e que infelizmente meus fones de ouvidos não deram vazão dentro da van. 

Durante o restante da viagem, a mãe continuou a fazer pouco de tudo o que o pequeno menino dizia e, destratando-o só conseguindo despertar em mim uma vontade incontrolável de levar aquelas duas crianças para longe dela. A bebê de colo, por sua vez, não falava - para a sua sorte - e é o tipo de criança que a gente se pega babando só de olhar. Amaldiçoei novamente meus fones de ouvido quando olhei para o lado e a vi mexendo no celular, dizendo: "Não dá nem para entrar no feice que tua irmã quer pegar o celular. Mas que merda." 

Seria inútil eu descrever o resto de porcarias que aquelas crianças ouviram. Porcarias as quais fui obrigado a ouvir junto com os demais passageiros  estes por sua vez, não demostraram qualquer aversão à cena. O tipo de tratamento que aquela mãe deu aos pequenos filhos me faz desacreditar em certos padrões de pensamentos com os quais não concordo, como o aborto. Mas a discussão não é essa e sim o tipo de pessoa que ela está formando. O tipo de caráter e personalidade que aquelas crianças vão crescer tendo. A influência materna na formação de um ser humano vai muito além se ele dos fatores sociais, econômicos ou culturais do seu meio.

A má influência dessa mãe que "só queria entrar no facebook sem sua filha tentar tomar o celular da sua mão" é o reflexo de uma geração sem nada na cabeça que não está pronta para assumir a responsabilidade matriarcal. Ou simplificando mais a situação, essa mãe não está pronta mentalmente para exercer valores que lhe faltam. Não escrevo como psicólogo, fundamentalista ou em direito da família, mas como alguém que é a favor das mães com o mínimo de consentimento de que assumir o papel mais importante para uma criança não é como    um brinquedo que se pode deixar de lado quando enjoou. Tampouco é a miniatura de um adulto a quem se pode esperar que entenda tudo o que se pede. A criança tem funções como uma esponja; ela absorve tudo ao seu redor. E eu poderia, inclusive, escrever citações de filósofos sobre a importância do amor materno ou o significado do termo família dentro de uma sociedade tão carente de valores como a nossa, mas aqui não se tornam necessários, quando até o ser humano mais leigo entende que,ao ser tratada com negligência, o futuro dessa criança se torna tão incerto quanto crescer sem ter alguém a quem espelhar-se.

Independente da crença, nível social ou qualquer outro fator, fica o meu apelo para as mães de que tratem melhor seus filhos. Que essas deem a atenção que eles precisam, o carinho que necessitam e o amor que lhes é de direto. As palavras proferidas contra uma criança, tenha ela a idade que tenha, marcam. Portanto, é preferível que um filho tenha boas marcas invés de ser marcado por palavras ofensivas, ironias, ignorância ou aquelas que ele ainda é novo demais para entender. Essas ai só farão com que a criança conheça o descaso e cresça desconhecendo o real valor do amor de mãe.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Greg Guillemin: o nerd misturando arte e tecnologia.

Depois do sucesso relacionado às obras do artista plástico Rodolfo Loaiza (você leu aqui), o nome da vez a reproduzir cenas fora do convencional com personagens famosos é Grégoire Guillemin. Um francês que retrata, na maioria de suas obras, personagens das histórias em quadrinhos em cenas que só conseguimos imaginá-los passando, exceto algumas. Mas essa não é a sua única especialidade. Enquanto Loaiza só descaracterizou os personagens da Disney em suas obras, Guillemin vai muito além e explora diversos mundos dentro de temas que não só o agrada, mas também a quem chega sua arte. De célebres nomes da arte e da física, como Van Gogh e Einstein, à menções aos filmes de Quentin Tarantino, Greg dá forma digital à arte que não estamos acostumados ver nas galerias.


Secret Hero Life - Pop Icons (2013)

Famous Capsules / Greg Guillemin (2011)
 

M
ais cedo acabei indo parar em um site que mostrava essas tais artes. E logo fui direcionado à página oficial desse web designer que é um geek assumido. O site conta com dezenas de ilustrações digitais feitas pelo francês. Muitas delas carregam um estilo minimalista e inspiradas em movimentos como o Art Decó e o Pop Art. Dessas inspirações, sua maioria se situa no mundo do cinema, e ele não pensa duas vezes antes de pesar o mouse em Star Wars, Guia do Mochileiro das Galáxias, Os Vingadores, Pulp Fiction, produções do lendário Steve Spielberg etc.

         Pop Icons - Pop exercises / Greg Guillemin (2012)
De camisetas, cards à almofadas, boa parte de seu trabalho como ilustrador está estampado em produtos originais, pois além de criar as ilustrações, Guillemin tem em seu site uma loja virtual para vender sua arte aos jovens nerds e a quem mais interessar. Eu, particularmente, me aficionei por todo o conceito e todos os produtos. É o tipo de coisa que futuramente gostaria de ver pendurado na minha parede ou guardado em minhas estantes. É a arte para nos deliciarmos e contemplarmos a quantidade de bons trabalhos  que temos visto surgir e chegar até nós por meio da internet. É a inusitada fusão daquilo que gostamos de ver na tela da TV, inspirado em movimentos artísticos, mas adaptado a um mundo que chega ser pequeno de tão globalizado. Tornando essa arte nada mais que um personagem fictício do qual gostamos.





Secret Hero Life - Pop Icons (Somewhere in a real life) / Greg Guillemin (2013)

 


Exercises in style - Graphic varations around comics heroes / Greg Guillemin (2011)


Robots - Robots in Cassandre Spirit / Greg Guillemin (2012)


Minimalz Spielberg Project / Grég Guillemin (2010)